Juego y niñez en tiempos de pantallas

CONGRESO INTERNACIONAL DE ALAIME 2019
“La Educación Metodista en tiempos de incertidumbre”

PONENCIAS LIBRES
Eje temático: Juego y niñez en tiempos de pantallas

Ana Beatriz Pereira Antunes, Colégio Metodista Americano, ana.antunes1@americano.metodista.br

 

Resumo

 

Diante dos avanços tecnológicos e da extensão das redes sociais, enfrentamos, atualmente, problemas pela falta de diálogo. Este está cada vez menos presente nas relações humanas, e no caso deste estudo, nas relações entre as crianças. Nos espaços escolares, a falta de diálogo tem provocado alguns distanciamentos e dificultado a resolução de conflitos vivenciados no dia a dia, visto que as crianças mostram-se mais intolerantes e impacientes para lidarem com a frustração e com o ‘diferente’. Diante disso, o projeto Diálogos Transformadores, que utiliza a metodologia aplicada pelos Círculos de Paz da Justiça Restaurativa, foi desenvolvido com algumas turmas da Escola, pensando na prevenção quanto à resolução pacífica de problemas. Nos círculos realizados, nutrimos e desenvolvemos a capacidade de empatia, respeito, igualdade e confiança no grupo, através de situações que promovem a reflexão e possibilitam o diálogo aberto entre os participantes. Essa prática tem se mostrado bastante oportuna, pois tem gerado aproximações afetivas entre as crianças, sentimento de pertencimento, bem como contribuído para o processo de aprendizado cognitivo e social. 

Palavras-chave: Diálogo. Círculos da Paz. Relacionamento.

 

 

 

Introdução

 

O presente estudo visa apresentar aspectos positivos observados a partir do desenvolvimento do projeto Diálogos Transformadores utilizando como estratégia a metodologia dos Círculos de Paz, que busca a construção de um vínculo entre os envolvidos, de forma igualitária, num ambiente seguro e respeitoso. Neles, os envolvidos debatem seus sentimentos, expoem seus argumentos e buscam, dessa forma, amenizar as próprias diferenças.

Entre os espaços sociais cotidianamente mais afetados por comportamentos ofensivos e, por consequência, potencialmente danosos, que produzem efeitos nefastos não apenas aos indivíduos diretamente afetados pelas ofensas, mas também à comunidade escolar, aos pais e responsáveis legais.

Assim, o espaço escolar não é somente um local onde conflitos acontecem, senão também onde conflitos se revelam, incluindo aqueles que dizem respeito às famílias e também às comunidades.

Acredita-se que o uso da prática do Círculo de maneira regular e rotineira seja uma infraestrutura chave para uma comunidade escolar saudável. A escola é a instituição de desenvolvimento universal mais importante além do lar e, é por isso, lugar de importância onde as crianças estão em relacionamentos continuados com adultos. A qualidade da aprendizagem e do crescimento que tem lugar dentro da escola depende dos relacionamentos saudáveis dos adultos com as crianças, assim como dos adultos entre si e das crianças entre elas mesmas.

 

 

Círculo de Construção da Paz

 

O Círculo de Construção da Paz é uma forma nova de agrupar as pessoas e chegar a um entendimento mútuo, fortalecer relacionamentos e resolver problemas em comum. (Pranis, 2010). Esta metodologia se inspira na tradição dos índios norte-americanos, que se utilizavam de Círculos de Diálogo para discutir questões comunitárias importantes. Estes índios utilizavam um objeto chamado bastão da fala que é passado por todos os integrantes do grupo, sendo que aquele que o detém tem o direito de falar, devendo ser escutado com respeito por todos. (Pranis, 2010).

Pranis, Stuart e Wedge (2003) lecionam que essa modalidade tem suas origens nos rituais nativos americanos que iniciam os círculos com a invocação de uma cantiga tradicional, abrindo espaço para as falas dos participantes. Para garantir respeito e ordem a esse momento sagrado, usa-se uma pena de águia que passa de pessoa para pessoa para designar de quem é a vez de falar, e assim chegar a eventual solução do problema. O processo circular é de grande valia, pois traz a promessa de que todos os envolvidos se comportem uns com os outros de um modo mais bondoso, respeitoso e generoso.

Os Círculos da Paz oferecem esboços de processos circulares para contextos variados, com ênfase, mas não unicamente, nos círculos não conflitivos. O uso de círculos de forma regular na construção do senso de comunidade e de aprendizagem conjunta pode se tornar a base para comunidades mais saudáveis nas escolas. (Pranis, 2010).

Ajudando crianças e jovens a desenvolverem habilidades de convivência, nós podemos mudar a cultura vigente para uma cultura de maior bem-estar para todos. As escolas são a instituição socializadora mais poderosa depois da família. Consequentemente, as escolas são um lugar com potencial incrível para promover a transformação cultural em direção a uma cultura de paz. O processo circular oferece um formato concreto e acessível para atender as necessidades mais básicas que o ser humano tem, que são as de pertencimento e de significado. O círculo nutre o impulso humano profundo de estar em bons relacionamentos uns com os outros. (Pranis, 2010).

“Crianças e adolescentes falam quando se sentem seguros”. Essa observação é tão simples, mas tem implicações profundas para as escolas. Alguns alunos que não se sentem seguros vão acabar na secretaria da escola porque se envolveram em uma briga. Alguns escolherão a fuga e começarão a faltar às aulas, às vezes por dias seguidos. E alguns ficam simplesmente paralisados. Eles estão sentados em seus lugares, mas, devido ao medo, nenhuma informação passa ao córtex pré-frontal e não há “pensamento consciente” ou aprendizagem1 . Cultivar uma sensação de segurança é importante não só para que se tenha uma escola com disciplina, mas para que a própria aprendizagem possa acontecer. ( Riestenberg, 2014)

Há modelos de Círculos para construção de relacionamentos e de comunidade e para ensinar habilidades emocionais e sociais; há Círculos para desenvolver o apoio, coesão e autocuidado da equipe de trabalho; há Círculos para engajar pais e membros da comunidade. E é claro que há Círculos para reparar o dano, até mesmo o dano causado por bullying. (Riestenberg, 2014)

O Círculo é um processo de comunicação estruturado e simples que ajuda os participantes a se reconectarem com a valorização deles mesmos e dos outros de maneira alegre. Foi elaborado para criar um espaço seguro, a fim de que todas as vozes sejam ouvidas e para encorajar cada participante a caminhar em direção ao seu melhor como ser humano.

Os círculos de Paz são utilizados como uma alternativa de prevenção e resolução de conflitos escolares, visto que incrementa a prática pedagógica na escola.

É inegável que atualmente as novas tecnologias e a rápida comunicação, têm influenciado nossas vidas. Vivemos num complexo mundo cada vez mais virtual e globalizado. Esse panorama contemporâneo nos mostra várias alternativas que se descortinam quando um sujeito é capaz de, em um único clique ou acesso, entrar em contato e interagir com as mais diversas possibilidades de expressão de opiniões, sentimentos e desejos. (Araujo, 2010)

Para Howard Zehr (2002), um dos fundadores do movimento da justiça restaurativa, caracteriza o processo de restauração como uma caminhada conjunta rumo ao pertencimento, tanto para a “vítima” quanto para o “ofensor”, criando oportunidades para a reconstrução de suas identidades, para o recontar de suas histórias e para que dêem um novo significado às suas vidas.

Esta visão ressoa com a visão de Pranis (2001), que fala sobre a importância do contar e ouvir histórias para sentir-se conectado e respeitado.

 

Resultados atingidos com a prática dos Círculos

Construir uma cultura de paz, de cooperação, de não violência e de resolução pacífica dos conflitos é um desafio permanente, que deve fazer parte de uma filosofia cotidiana de trabalho, sobretudo nas escolas, para que as crianças e jovens desenvolvam concretamente o aprendizado dos valores essenciais da convivência.

Observamos que ao desenvolvermos estas práticas trabalhando os valores do diálogo, da amizade, da cooperação, da solidariedade, do perdão, empatia e, entre outros, crianças e adolescentes sentem-se pertencentes à escola, demonstrado maior comprometimento no seu ambiente escolar e familiar.

 

REFERÊNCIAS

ARAÚJO, Ana Paula. Justiça Restaurativa na Escola: Perspectiva Pacificadora? PUC/RS. Porto Alegre. 2010.

PRANIS, K. Processos Circulares. São Paulo: Palas Athenas, 2010.

Riestenberg, Nancy. Especialista em Ambiente Escolar, Departamento de Educação Estadual de Minnesota Roseville, Minnesota, Julho de 2014.

ZEHR, Howard. Trocando as lentes: um novo foco sobre o crime e a justiça. São Paulo: Palas Athena, 2008.